Quem é que nunca ouviu os pais contarem como eram felizes quando andavam descalços, brincavam na terra e rolavam na lama? Pois é bem possível que eles tivessem a razão. Estudos recentes efetuados em ratos sugerem que a bactéria Mycobacterium vaccae –habitante comum no quintal da sua casa– poderia, além de diminuir a ansiedade, ajudar a incrementar a inteligência e as habilidades de aprendizado.
Há algum tempo que já sabemos que estas bactérias são benéficas para diminuir a ansiedade, mas agora descobriram que estas pequenas criaturas também poderiam contar com estas outras propriedades surpreendentes.
Pesquisadoras da Universidade de Troy, Nova York, forneceram amostras destas bactéria a ratos, o que acelerou a produção de serotonina nos neurônios dos roedores. O efeito mais imediato desta serotonina extra foi –como era previsível– um decréscimo nos níveis de ansiedade, o que levou os pesquisadores a concluir que a Mycobacterium vaccae possue qualidades antidepressivas.
A pesquisadora não estava interessada em um efeito tão direto e já conhecido:
- “Como a serotonina tem um papel importante na aprendizagem, nos perguntamos se esta bactéria poderia melhorar as aptidões de instrução em roedores”.
Para dirimir as dúvidas, ambas pesquisadoras tomaram dois grupos de ratos. O primeiro, com o qual realizaram o experimento, foi alimentado com espécimes vivos da bactéria, enquanto o grupo de controle era alimentado com ração. Depois fizeram os animais passarem por labirintos para ver como ambos grupos enfrentariam o desafio da orientação. A diferença foi notável:
- “Descobrimos que os ratos que se alimentavam de bactérias superavam o labirinto duas vezes mais rápido e mostrando menores comportamentos de ansiedade que os do grupo de controle”.
Voltaram a repetir o experimento após retirar a bactéria da dieta do grupo experimental. Quase que imediatamente, os ratos deste grupo não pareciam ser mais tão eficientes, mas seguiam encontrando a saída do labirinto bem mais rapidamente que os do grupo de controle. Três semanas mais tarde, os ratos seguiam sendo um pouco mais rápidos, mas não excessivamente desde o ponto de vista estatístico. Isto sugere que o efeito provocado pela bactéria sobre a aprendizagem é temporária, ainda que em humanos (cuja capacidade cognitiva é muito maior que a dos ratos) os benefícios da exposição ao Mycobacterium vaccae poderiam durar mais tempo.
Seja como for, Dorothy Matthews acha que é uma ideia na qual valeria a pena trabalhar:
- “É interessante especular sobre o que aconteceria se criassem ambientes de aprendizagem nas escolas que incluíssem visitas ao exterior, em uma horta por exemplo, onde estaria presente a bactéria. Isto poderia ajudar a reduzir os níveis de ansiedade dos alunos e a melhorar sua habilidade para aprender novas tarefas”.
Atenção: apesar de alguns cientistas já chamarem a Mycobacterium vaccae de Prozac natural, não vá sair por aí comendo terra. Os dados apresentados no estudo de Dorothy e Susan ainda carecem de muito mais pesquisa e estudo.
Revisado e postado por Gean




